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Captação foi realizada para financiar famílias clientes da empresa Vivenda. Ao todo, são R$ 5 milhões que devem impactar cerca de 32.000 pessoas em cinco anos

 

Se, até o momento, o acesso ao crédito e linhas de capital de giro era um dos maiores entraves para a consolidação de projetos e negócios de impacto social, o cenário acaba de ganhar uma nova perspectiva. A Din4mo, referência em desenvolvimento e gestão para startups e empresas de impacto social, juntamente com Grupo GAIA, maior especialista em securitização do mercado brasileiro, desenvolveram a solução pioneira e abriram o caminho para unir os negócios de impacto ao mercado de capitais.

Emitida pela Gaia Cred II, empresa do Grupo Gaia, a primeira debênture de impacto social do país foi criada para suportar o Programa Vivenda, que tem como propósito fazer com que as pessoas possam morar bem e viver melhor, por meio de reformas em moradias localizadas em regiões de baixa renda.

Desde 2013, a empresa fez mais de 600 reformas, impactando diretamente a mais de 2.300 pessoas. “Reformar uma casa numa comunidade é muito mais que deixá-la mais bonita ou agradável. É restaurar a dignidade de uma família. Essa operação tem o potencial de resolver um problema gigante de todo o campo de negócios de impacto, pois viabiliza o acesso ao capital de giro necessário para escalarmos o impacto que desejamos promover”, diz Fernando Assad, cofundador do Vivenda.

Ao todo, foram captados R$ 5 milhões, recursos que serão essenciais para financiar as famílias das comunidades onde o Vivenda atua. A expectativa é que a iniciativa impacte na vida de mais de 32 mil pessoas, no prazo de cinco anos. “Em média, uma reforma padrão realizada pelo Programa Vivenda, custa entre R$ 4.000,00 e R$ 6.000,00. Acessar capital de giro para parcelar esta obra era muito difícil, afinal, buscar os recursos em meios tradicionais inviabiliza muitos projetos. Nesse cenário, o Vivenda precisava de recursos para financiar estas famílias. A estratégia que cocriamos, apoiada no acesso ao mercado de capitais, é uma saída para solucionar, não apenas a necessidade do projeto, mas de todas as startups e negócios de impacto social, trazendo uma nova perspectiva para este ecossistema”, explica Marco Gorini, cofundador da Din4mo e coordenador estratégico da operação.

Para criar a solução, Din4mo e Grupo Gaia reuniram um grupo de experts para discutirem o assunto. Entre eles, estavam: TozziniFreire Advogados; GoOn, serviços de gestão de risco; B2E Group; Terra Investimentos DTVM; Vórtx, serviços fiduciários; e Família Paulista. Ao todo, foram 18 meses de trabalho em busca do modelo adequado. “Tínhamos dois grandes desafios nesta operação: o primeiro era a estruturação financeira de créditos que ainda não existiam, por isso não poderia ser um instrumento tradicional como o CRI e optamos pela debênture, o segundo era a equação financeira. Queríamos que as famílias pagassem juros mais dignos e viáveis, mas ao mesmo tempo
deveriam ser atraentes para os investidores”, conta João Pacífico, fundador do Grupo Gaia e coordenador estratégico da operação.
Foi neste momento que os executivos chegaram ao modelo final. Com um conceito de “blended finance”, a alternativa foi unir capital filantrópico e o investidor clássico na mesma estrutura. A divisão ocorreu por meio de (i) uma oferta pública com esforços restritos de distribuição, direcionada para investidores profissionais, nos termos da Instrução da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) no 476, de debêntures quirografárias, com garantia real adicional; e (ii) duas colocações privadas, correspondentes a duas séries de debêntures simples, da espécie quirografária e subordinada, respectivamente.

Um dos primeiros apoiadores foi O Fundo Zona Leste Sustentável, que atua há mais de 10 anos no distrito de São Miguel Paulista. A distribuição dos R$ 3 milhões da oferta pública com esforços restritos de distribuição surpreendeu. Todas as debêntures desta série foram direcionadas exclusivamente à investidores profissionais e foram adquiridas por clientes do Private Bank do Banco Itaú. “Inovamos ao criar um primeiro modelo de blended finance para alavancar um negócio de elevado impacto. Além disso, conseguimos que esta
primeira operação fosse distribuída por completo por um banco de primeira linha, o que reforça que há um grande potencial para esta modalidade de investimento no mercado”, ressalta Gorini.

A primeira debênture de impacto social possui prazo de 10 anos e taxa de juros 7% ao ano. “Ao longo de todo o processo de estruturação do modelo, tivemos o cuidado para desenvolver uma estrutura jurídica que viabilizasse as necessidades sociais da operação. Permitir o acesso ao mercado de capitais a empresas de impacto social é, sem dúvida, uma grande inovação. A solução gera retorno aos investidores e, ao mesmo tempo, permite à startup e às famílias o acesso ao capital com taxas significativamente menores às praticadas no mercado. E todos os agentes envolvidos saem ganhando, especialmente as famílias que poderão ter acesso aos serviços do Vivenda”,
afirma Alexei Bonamin, sócio de TozziniFreire Advogados. E continua: “Anos atrás participei da estruturação do primeiro Fundo de Investimento em Participações (FIP) com impacto social do Brasil. Agora, participei da estruturação da primeira debênture de impacto social (social bond) do Brasil.Fico muito feliz de continuar colaborando com o desenvolvimento dos investimentos de impacto social no Brasil. Para mim, esse é o grande propósito de trabalhar com mercado de capitais há mais de 20 anos”.

“Se uma operação considerada pequena no mercado financeiro tem o impacto positivo direto em tantas famílias, ficamos muito esperançosos com a força de transformação que podemos causar com o desenvolvimento deste novo
segmento de negócios”, Fábio Gordilho, sócio do Grupo Gaia.

A captação completa foi realizada em cinco meses. Diante do sucesso da operação, a Din4mo e o Grupo Gaia já iniciaram a estruturação de um novo papel. “Acreditamos que, de fato, estamos diante da solução para um dos maiores problemas do empreendedorismo de impacto social, que é o acesso a crédito adequado. E para os bancos e demais instituições distribuidoras, é mais uma opção de produto para aqueles que buscam alternativas de investimentos com um propósito, além do retorno financeiro”, conclui Gorini.

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